terça-feira, 4 de abril de 2023

O PRINCIPAL ARGUMENTO DE DARWIN CONTRA A CRIAÇÃO INDEPENDENTE DAS ESPÉCIES

Um argumento negativo contra a criação independente das espécies, amplamente utilizado por Darwin e alguns de seu seguidores modernos como Elliott Sober, questiona a adequação de um Criador como explicação para a similaridade entre os seres vivos. Ele pode ser delineado no silogismo abaixo:

(1) Se um Criador tivesse criado as espécies independentemente, estas não compartilhariam características similares.

(2) Espécies compartilham características similares.

(3) Logo, um Criador não criou as espécies independentemente.

Ainda que esta seja uma aplicação correta do argumento modus tollens, não temos razão nenhuma para aceitar a premissa (1). Tal premissa inclui uma asserção teológica que jamais é provada pelos evolucionistas: Por que um Criador estaria obrigado a produzir organismos que não compartilham características (morfológicas ou genéticas) com outros organismos? Existe alguma prova filosófica que demonstra uma necessidade ontológica que este seja o caso? Existe alguma afirmação no texto sagrado de qualquer religião que impõe ao Criador este modo de criação? Não que eu saiba. O argumento é, portanto, uma petição de princípio, já que impõe ao Criador um modo de criação que parece necessário somente ao evolucionista. Contra o evolucionista, afirmo que não é contrário ao fato da Criação, que o Criador tenha incluido similaridades nas diferentes espécies, assim como não nos surpreende que humanos reutilizem tecnologias em novas invenções. Por exemplo, é sabido na engenharia que certos designs são notoriamente mais funcionais para alcançar um determinado fim. Por exemplo, seja hoje ou daqui 500 anos, todos os carros terão rodas redondas, porque esse formato minimiza a friccão e aumenta a eficiência daquilo que se quer alcançar: o movimento de um lugar ao outro. Analogamente, seres vivos habitando ambientes similarides, se beneficiarão de morfologias similares. Por exemplo, o formato fusiforme reduz o arrasto aquadinâmico, minimizando a energia utilizada pelo organismo durante a natação. Não é de se espantar então, que golfinhos, pinguins e peixes tenham formato de corpo fusiforme, já que habitam (total ou parcialmente) o ambiente aquático. Veja que, neste caso, a observação que motiva a conclusão aqui proposta é a mesma do evolucionismo: espécies estão adaptadas ao meio ambiente em que vivem. A diferença é que, enquanto evolucionistas postulam que espécies distintas se adaptaram lentamente ao ambiente por causas cegas (mutações), o meu argumento admite que as espécies foram criadas já adaptadas para exercer um certo fim. Qual das duas alternativas lhe parece mais coerente? Desconheço qualquer evidência de que o acaso possa organizar o quarto de um adolescente pela ação dos ventos, quanto mais projetar um organismo inteiro pela ação das mutações. Conheço entretanto, diversos engenheiros que produzem estruturas para um devido fim.

Um segundo ponto que sugere a conveniência da existência de homologias é que elas facilitam o avanço da ciência, principalmente na medicina. A vasta maioria dos remédios utilizados por humanos tem que antes ser testados em outras espécies de animais. Somente o mais imoral dos evolucionistas, sugeriria que drogas em fase experimental fossem testadas em bebês humanos. A presença de homologias fisiológicas, genéticas e morfológicas entre os camundongos e humanos é razão pela qual podemos poupar nossas crianças (e adultos) deste abuso. Podemos testar medicamentos em camundongos e sabemos que os efeitos observados podem ser extrapolados, com as devidas precauções, para os humanos. Caso os organismos fossem fundamentalmente diferentes entre si, grande parte da medicina (e com ela o bem estar da população humana) seria severamente comprometida.

Por último, o processo digestivo exige que aquilo do qual nos alimentamos, seja similar a nós. Fossem os organismos herbívoros feitos de cobre e alumínio, não conseguiríamos incorporá-los na nossa própria substância através da alimentação. É porque os organismos são compostos de partes similares (ex. proteínas, lipídeos, carboidratos, etc) que conseguimos assimilá-los.

Espero ter conseguido convencê-los de que o fato da homologia, não necessita da hipótese evolucionista da ancestralidade comum universal. No próximo post, avaliarei o conceito de convergência evolutiva.


A TEORIA DA EVOLUÇÃO ENQUANTO ELABORADO ARGUMENTO CIRCULAR

Apesar de ter sido criado em um lar católico, abandonei minha fé na adolescência e posteriormente dediquei minha carreira científica à defesa da evolução. Embora meu ateísmo não tenha sido inicialmente motivado pela evolução – eu apostatei muito cedo – ele foi definitivamente fortalecido por ela. Nas palavras do evolucionista Richard Dawkins “Darwin tornou possível ser um ateu intelectualmente realizado”. Essa realização de Dawkins – e também minha – foi resultado da crença de que Darwin havia fornecido um respeitável relato naturalista da origem dos viventes, que estava inicialmente ausente do ateísmo. Naturalistas já haviam tentado explicar a origem dos seres vivos antes de Darwin, mas se limitaram à especulações filosóficas. Por exemplo, os antigos gregos Empédocles e Epicuro acreditavam que os organismos se originaram através de forças naturais (amor e conflito) combinando partes ao acaso, de modo que combinações complementares (por exemplo, o torso de um homem e a cabeça de um homem) persistiram e aquelas que não (por exemplo, o torso de um boi e a cabeça de um homem) pereceram.

Embora a filosofia epicurista tenha se tornado popular durante o Iluminismo após a redescoberta do poema de Lucrécio no Renascimento, o relato de Darwin era mais palatável para o programa iluminista porque sua versão do epicurismo tinha uma roupagem científica. De acordo com Darwin, os organismos tendem a variar e as variações que são vantajosas na luta pela existência serão herdadas pela próxima geração e aumentarão em frequência ao longo do tempo (seleção natural). Por esse processo muito simples, Darwin esperava explicar a origem de todos os viventes e suas operações, desde o voo do pássaro até os próprios pássaros. Para apoiar essa afirmação bastante ambiciosa, Darwin argumentou por analogia: sabemos por experiência que os criadores podem produzir diferentes raças de plantas e animais por meio da seleção sistemática de variações. No entanto, os criadores têm tempo limitado e selecionam apenas as variações que são desejáveis ​​para ele, mas não para o bem da espécie. A natureza, por outro lado, é mais poderosa que os criadores, pois ela tem milhões de anos à sua disposição para selecionar cada pequena variação vantajosa. Segue-se que as mudanças nas populações naturais são mais substanciais do que nas populações domésticas, levando à formação de novas espécies. Projete esta extrapolação para trás no tempo e postule que a vida se originou espontaneamente uma vez em um “pequeno lago quente”, e você chegará à conclusão de Darwin de que todas as formas de vida estão relacionadas por ancestralidade comum universal (ACU).

Apesar do que muitas vezes nos é dito, o argumento de Darwin não foi bem recebido pela maioria da comunidade científica devido ao seu conteúdo altamente especulativo e sua personificação de processos naturais. Mesmo Thomas Huxley, um dos defensores mais expressivos de Darwin, não aprovava o conceito de seleção natural, apesar de defendê-lo. O aspecto atraente da teoria de Darwin, pelo menos para o campo ateísta dentro das ciências naturais da época, eram as supostas evidências científicas apoiando uma origem naturalista das espécies. A oportunidade de usar a ciência para dissociar o Criador de Suas criaturas, levou figuras poderosas da elite acadêmica a promulgar ferozmente Darwin, particularmente através da Royal Society e do X Club de Thomas Huxley. O próprio Darwin havia gasto poucas páginas no seu livro “Origem das Espécies” fornecendo evidências positivas para a evolução, e muitas outras páginas argumentando contra a criação especial. Se a ACU for tomada como um axioma, nos diz Darwin, então a similitude entre os organismos pode ser atribuída à herança ao invés de um plano Divino comum. Mas se a similaridade do organismo for usada como prova de ACU, dificuldades insuperáveis ​​para a teoria de Darwin, por exemplo, a completa ausência de fósseis intermediários e a origem de órgãos complexos, poderiam ser rapidamente descartadas: o pensamento circular gera a conclusão que as dificuldades são apenas aparentes.

Ao longo do século passado, os seguidores de Darwin replicaram sua abordagem e acumularam uma enorme pilha de artigos científicos repletos de raciocínio circular. Por exemplo, um artigo recente na Protein Science afirmou o seguinte: “…o olho dos vertebrados modernos […] evoluiu de uma simples célula sensível à luz e foi adicionando sequencialmente tipos de células e relações mais complicadas entre tecidos, cada um dos quais melhorou a sensibilidade ou acuidade visual.” No entanto, nenhum desses passos evolutivos, nem a origem da primeira “célula simples sensível à luz”, jamais foi demonstrado. A afirmação confiante dos autores só pode ser entendida usando o raciocínio de Darwin: se a ACU é dada como certa, então o complexo olho dos vertebrados deve ter evoluído lentamente de um olho mais simples em um distante ancestral comum. Não são necessárias demonstrações dos passos da evolução dos olhos: a conclusão está incluída nas premissas. Esse modo falacioso de raciocínio impede o evolucionista de questionar sua própria teoria, porque todos os dados se tornam prova da evolução se interpretados com viés evolucionista. Mais ainda, qualquer explicação alternativa que tem Deus como causa é, obviamente, rejeitada a priori.

Nada melhor encapsula o grosso da literatura evolucionista do que uma citação muito famosa de Theodosius Dobzhansky, um dos fundadores da síntese evolutiva moderna: “Nada em Biologia faz sentido exceto à luz da evolução”. O absurdo dessa afirmação é evidente: se falta de conhecimento da evolução impedisse a compreensão da biologia, então a medicina enquanto disciplina (geral) e o diagnóstico de leucemia de Dobzhansky (específico) não poderiam ter sido concretizados sem o advento da biologia evolutiva, o que é absurdo. No entanto, o artigo de fé de Dobzhansky é ensinado a todos os alunos de graduação em biologia e em todas as principais universidades do mundo. Não é surpreendente então, que muitos estudantes saem dessas instituições com a firme convicção de que os organismos são produtos da variação aleatória e da seleção natural, quando antes reconheciam o Criador (causa) através de Suas criaturas (efeito).

Como uma lógica falha não pode se alastrar por muito tempo, fissuras já começaram a aparecer no edifício da evolução e muitos evolucionistas estão solicitando que a teoria de Darwin seja revisada. Infelizmente, nenhuma das revisões propostas abandonou a ACU, então duvido que testemunharemos a queda da evolução como teoria nas próximas décadas. Em última análise, o alicerce que sustenta o edifício da evolução é o desejo do Iluminismo de purgar a causalidade divina da história. Para se libertar do vórtice falacioso em que se encontram, os evolucionistas devem olhar para dentro de si mesmos e fazer a mesma pergunta que culminou no meu retorno à fé católica e na minha eventual rejeição do conto de fadas de Darwin: “E se houver um Deus?”.

O PRINCIPAL ARGUMENTO DE DARWIN CONTRA A CRIAÇÃO INDEPENDENTE DAS ESPÉCIES

Um argumento negativo contra a criação independente das espécies, amplamente utilizado por Darwin e alguns de seu seguidores modernos como E...